segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Transhumanismo e uma “nova” teoria da mente

O Transhumanismo é um movimento que surgiu há duas décadas e que defende que o homem deve buscar uma integração com as máquinas, gerando o que é conhecido como pós-humano. Apesar desse movimento e a roupagem que ele utiliza serem bem recentes, a ideia de se fundir com os outros materiais é um sonho antigo da humanidade, presente em mitos gregos, indianos, chineses, etc. Mas dada a evolução recente da tecnologia, pela primeira vez na história esse sonho parece algo factível, principalmente quando entendemos a dinâmica da ciência como algo que segue a Lei de Moore.

Em alguma medida somos todos Transhumanistas na atualidade. Achamos comum o uso de implantes dentários, válvulas no corpo e até mesmo quando isso é utilizado para questões estéticas, como o silicone. O ponto que começa a gerar problemas para algumas pessoas é quando a máquina que está sendo inserida no ser humano passa a torná-lo mais poderoso que os humanos normais, como algumas pernas que podem vir a existir nos próximos cinco anos. Sendo assim, haverá aceitação de uma pessoa que mesmo com uma perna sadia resolver arrancá-la e colocar uma feita em laboratório? E a questão da imortalidade do indivíduo, a humanidade está preparada para enfrentar as mudanças drásticas que vão ocorrer nesse processo?

Falando em imortalidade, acabei escrevendo sobre esse tema porque tive uma discussão recente sobre a possibilidade de transferir a mente de uma pessoa para um recipiente para em seguida ser colocada em outro corpo; a questão girou em torno desse assunto porque já tínhamos estabelecido que todas as outras partes do corpo poderiam ser alteradas sem nenhum problema. O primeiro problema dessa discussão é conseguir chegar a um consenso sobre o que nos torna um indivíduo. Minha visão da questão pode ser entendida utilizando alguns nomes da informática. Para mim o cérebro é o hardware e a mente é o software. Sendo assim, não ajuda em nada ficar tirando ressonâncias e tomografias do cérebro porque elas não vão dizer muita coisa, só irão mostrar onde determinadas capacidades (programa) estão rodando no cérebro; você não vai encontrar conceitos escritos em algum lugar do tecido cerebral e nem mesmo quem você é. Com isso, a minha definição do Eu (indivíduo) é o software único que está em funcionamento na cabeça de cada um.

Com essa definição, não consigo ver nenhuma impossibilidade de se transferir o Eu de determinada pessoa para um novo corpo gerado para ela, mantendo a vida dessa pessoa eterna. Uma das alternativas a essa ideia de ver a mente como um software é a que considera que o Eu está fisicamente presente no tecido cerebral; ou até mesmo a corrente que entende que o Eu está na alma e por isso não pode ser encontrado.
Lembro que quando ainda era muito pequeno já conhecia essa ideia de que o Eu se encontrava no espírito devido a minha mãe ser espírita. Curiosamente sem ter o menor contato com Transhumanismo ou qualquer coisa parecida Eu vivia dizendo que não iria morrer nunca (com minha mãe acrescentando, já que Eu não lembro, que Eu dizia que quando ela ficasse velha era só tomar uma pílula que rejuvenesceria novamente) e cheguei a propor uma alternativa para testar essa hipótese da mente existir no espírito, que era fazer um transplante de cérebro entre duas pessoas; porque se os corpos se trocassem, ao menos teríamos uma evidência forte de que de alguma forma o Eu se encontra dentro da caixa craniana, mesmo ainda existindo a possibilidade do espírito acompanhar o cérebro, etc.

Mas somente nessa teoria do Eu conter no espírito que não permite que a tecnologia nos torne imortais, porque na teoria do Eu estar grava no cérebro e ser a ligação entre os neurônios, é só uma questão de desenvolver a técnica certa para extrair o Eu de um corpo e passá-lo para outro.

Sendo assim, não há nenhum impedimento teórico que impeça o desejo dos Transhumanistas; tudo então não passa de uma questão de tempo até que a tecnologia necessária seja desenvolvida, e boa parte das lideranças do movimento acredita que em no máximo 50 anos já estaremos vivendo dessa forma no mundo, juntamente com a inteligência artificial.