domingo, 5 de agosto de 2012

Por que não existe um partido de “direita” no Brasil?

Volta e meia aparece alguma matéria ou texto na imprensa de alguém perguntando e tentando explicar a ausência de partidos de direita no Brasil. Eles acabam usando a direita para englobar conservadores, neoconservadores, libertários e esse povo xenófobo como os integralistas e autoritários de outras estirpes. Não concordo com essa classificação (prefiro me classificar como Libertário), mas o fato é que essas correntes ideológicas não têm representação política no atual cenário partidário brasileiro. 

E entendendo isso, acredito que a resposta para a pergunta seja muito mais simples do que acabam apontando. A inexistência desses partidos mais fortes ideologicamente (os de esquerda também estão cada dia mais sem ideologia) é uma consequência direta da existência e dependência dos partidos ao fundo partidário. 

Sim, esse é o principal motivo. A existência da ditadura também é um fator para atrapalhar a vida dos conservadores, assim como questões culturais, mas acredito que os recursos estatais sejam de longe o maior impedimento. 

Para servir de comparação, vejam o caso americano. Apesar de lá também existirem alguns fundos estatais para os partidos, eles dependem muito mais de doações privadas para ganhar eleições e se manter do que no Brasil. E o resultado disso é que eles têm que se fortalecer ideologicamente para atrair esses doadores. Defender qualquer coisa não fará as pessoas doarem para uma campanha. 

Aqui no Brasil já ocorre o contrário, e com a independência que os partidos políticos brasileiros têm da ideologia dos grupos que compõem a população, vemos partidos como o PMDB que tem mais de 1 milhão de filiados. Se esses filiados tivessem que pagar anuidades, arrisco dizer que não existia 1% dos atuais, a não ser que o partido incorporasse alguma ideologia específica. 

Um dos resultados diretos de fazer isso seria a existência do partido “Democratas” realmente conservador (não que isso seja bom) e alguns outros partidos que seriam chamados de “direita” provavelmente iriam surgir. Os partidos de esquerda iriam acabar se aglomerando em alguns poucos, mas não veríamos uma desideologização da esquerda, mas também um fortalecimento do discurso deles com as bases; que é o contrário do que vem acontecendo com o partido democrata nos EUA, que cada dia mais depende de recursos do estado e vê a sua base e ideologia se enfraquecerem em consequência. 

Então se você quer um partido de “direita” no Brasil, a única panaceia disponível é aumentar o peso que as pequenas doações têm no financiamento dos partidos; até mesmo colocando 100% de desconto no imposto de renda para essas doações com um teto absoluto.