sexta-feira, 6 de junho de 2014

Lançamento de "Pavão bizarro", livro de poemas de Emmanuel Santiago



Caros leitores, tenho a satisfação de divulgar para vocês o lançamento de meu primeiro livro de poesia, Pavão bizarro, que ocorrerá no próximo dia 14 (de junho) no bar Canto Madalena, localizado na Rua Medeiros de Albuquerque, nº 471, Jardim das Bandeiras - São Paulo/SP. Estarei lá, a partir das 19h00, rabiscando algumas dedicatórias.

Quem não puder comparecer e ainda assim quiser adquirir o livro, por conta e risco próprios, há como fazê-lo pelo site da Editora Patuá (clicando aqui). Devo alertar que o conteúdo de alguns poemas (poucos deles) talvez aborreça alguns cristãos de maior suscetibilidade. Quem quiser se informar melhor, leia a entrevista publicada no Ad Hominem; e o prefácio, escrito por Fábio César Alves, professor de Literatura Brasileira da USP, pode ser lido aqui.

Como aperitivo, aqui vão dois poemas de Pavão bizarro:

Soneto branco

Queria meu soneto da cor branca,
todo branco, que nunca fosse negro,
pois o negro é profundo, cheio de ecos
e coisas das quais só se sente o cheiro.

O branco, não. O branco é superfície
e silêncio, o suspense de um relâmpago
retido na espessura de um espelho;
branco é a cor das coisas sem conceito.

Não o branco solúvel, cor de gelo,
nem o branco volátil, cor de espuma,
nem o branco dourado do ouro branco;

quero um branco absoluto, branco abstrato,
o mais puro, o mais claro — mas sem brilho:
quadrado branco sobre fundo branco.

***

Furor parnasiano

Eu sou a Musa Impassível,
a Virgem de amianto,
impermeável ao sôfrego
fogo de tuas entranhas.

De meus seios, jorram
cascatas de mármore,
arquiteturas, estátuas
de antigos deuses
mutilados, mas
nenhuma gota
que aplaque a súplica
de teus lábios ávidos.

Contra um cinto de castidade
forjado no bronze, a frio,
teus dedos se debatem
em meu corpo seminu;
é inútil. Trouxeste
a chave (de ouro)?

Eu, a Musa Impassível,
estéril e etérea, um frígido
Moloch; em minhas coxas,
o poema é um coito sem gozo.

***