sexta-feira, 28 de outubro de 2011

FFLCH OCUPADA! - parte 398

Que coisa! Fiquei sabendo só hoje que houve baderna entre estudantes da FFLCH e PMs na USP ontem às 19:00. Pois eu estava na biblioteca da mesma FFLCH das 15:00 às 20:00, saí e não vi nada. Se tivesse parado o carro na rua de baixo, teria pego parte do rebuliço, trocado umas ideias com a turma, enfim, teria tido mais uma dose daquela maravilhosa experiência de "viver o campus", algo que fiz muito pouco. Mas não; como bom aluno da Filô, fui direto da sala para o carro pela rota mais rápida possível.

A Filosofia é notoriamente alienada do resto da FFLCH (que se compõe também das faculdades de Letras, Ciências Sociais, Geografia e História). Na verdade, esse meu desencontro de ontem ilustra perfeitamente a diferença de atitude das faculdades: enquanto uns criam baderna com a PM, outros estudam na biblioteca. (O fato do meu estudo ter rendido muito pouco torna a imagem ainda mais fiel.)

O que os revoltosos querem? É sabido que assassinatos e estupros ocorrem no campus; roubo de carro, então, nem se fala. É claro que precisamos da polícia. Fico na dúvida se o que move esses estudantes é algo mais filosófico (e furado) contra a própria ideia de polícia, ou o medo mais concreto de que, estando a polícia no campus, ela ocasionalmente prenderá um drogado.

Encontrar maconha em estudante da FFLCH não é exatamente procurar agulha em palheiro. O uso de drogas lá é generalizado, como qualquer um com narinas funcionais pode testemunhar. Quem procura, acha. Eu mesmo sou contra a proibição das drogas. Reconheço os perigos e os custos de se descriminalizá-las e a possível imprudência de fazê-lo de uma vez só, mas mesmo assim não tenho dúvidas de que o objetivo legal último tem que ser esse. (Já usuário não sou nem nunca serei! Se me virem de olhos vermelhos, saibam que é alergia.) Contudo, dado que vivemos sob a proibição, e essa proibição não é algo completamente arbitrário - os males da droga são reais; os do tráfico também - e nem viola a dignidade humana básica, não há justificativa para partir para a violência (incontestavelmente iniciada pelos estudantes) contra policiais que fazem seu trabalho. Fico igualmente indignado pela lei seca; nem por isso é justo atacar o policial que quiser aplicar o bafômetro. Enfim, esses "estudantes" (as aspas são porque, entre eles, há também militantes políticos e pelegos de "movimentos sociais") exigem coisas como a retirada coletiva de todos os processos criminais contra estudantes e funcionários da USP (sem averiguar se procedem ou não!); tendo isso em mente, como classificá-los?

A maioria dos estudantes da USP é a favor da PM no campus. Quem é contra são basicamente setores minoritários da FFLCH, da FAU e da ECA, os usual suspects a travar uma eterna guerrilha imaginária contra os poderes das classes opressoras, isto é, o mundo real do trabalho e da ordem, que é quem os sustenta em seu devaneio truculento. Por que é só na área de Humanas que floresce essa bizarrice da fauna estudantil, que exalta os maiores crimes e os ideais mais monstruosos como se fossem virtudes, luta contra inimigos imaginários, não tem absolutamente nenhum poder fora do mundinho acadêmico que parasita e ainda se arroga como autoridade moral universal e porta-voz da universidade quando na verdade a imensa maioria dos colegas os repudia?

O resto da sociedade, o mundo fora da USP, os trabalhadores que povoam tantos dos manifestos e justificam tantos atos dos movimentos estudantis, também não morre de amores por seus supostos salvadores. Esse desprezo tem sido cada vez mais vocal. Embaixo da vídeo-reportagem no site da UOL, há um espaço para os leitores deixarem sua opinião. A maioria não é estudante da USP. Vejamos o que um deles, representativo dos demais, tem a dizer:

TADINHOS DOS MACONHEIROS DA USP. DEIXEM AS CRIANÇAS FUMAR SEUS BASEADOS EM PAZ,AFINAL NÃO É PRA ISSO QUE PAGAMOS IMPOSTOS TÃO ALTOS?
OS PMs MAUS BATERAM NOS MENINOS PORQUE?
CAMBADA DE FDP!!! BORRACHA NESSES VAGABUNDOS QUE SE INTITULAM ESTUDANTES DA USP!!!

O que permite que um grupinho fale tão alto, e o mundo ouça, sendo ninguém simpatiza com ele? Simples: como eles não estudam nem trabalham, têm todo o tempo do mundo para fazer panelaço constante, enquanto o resto do mundo, embora até se importe com a política e gostasse de chutar essa máfia para fora, simplesmente não tem como dedicar o tempo integral à causa que os revolucionários ociosos dedicam. Uma instituição saudável deveria ter mecanismos para não permitir que isso ocorresse: tratar atos de agressão e invasão de maneira exemplar, expulsando imediatamente todos os culpados e usando, se necessário, força policial para retirá-los (e eventualmente prender os criminosos infiltrados no meio estudantil); falta só a coragem política de fazê-lo.

Os colegas os repudiam. O resto da sociedade não tolera nem ouvir falar deles. Então por que deixamos essa banda podre das faculdades de Humanas continuar a ditar o debate de ideias e intimidar o resto da sociedade a ouvi-la, seja por greves ou ocupações? Até quando o Sancho Pança, a parte da sociedade que estuda e trabalha, se sentirá na obrigação de escutar e apaziguar esse D. Quixote maligno que, não se contentando em ser sustentado por seu trabalho ainda quer matá-lo?

Não proponho nenhum tipo de ação violenta, que se vier, tem que vir do canal adequado: a polícia. O que cada um pode fazer individualmente é cortar pela raiz a ideologia que os protege: a insistência em vê-los como "idealistas", defensores ingênuos de utopias que usam de meios desesperados. Eles não são mais uma voz no debate público que merece ser ouvida e ponderada: é um discurso de criminosos que repete as maiores asneiras e as maiores monstruosidades já pensadas. Seus "valores" estão em total consonância com o peleguismo que praticam: o ódio contra tudo o que mantém a sociedade funcionando, contra qualquer instituição que nos afaste da selva, e contra todos os que produzem o bastante para permitir que os próprios manifestantes dediquem seus dias à maconha. O que os move não é um belo sonho, mas uma mistura de medo ódio para com um universo racional que não se dobra a caprichos juvenis. Não há ideal em suas palavras; apenas a lama.